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A origem do Cão de Castro Laboreiro perde-se na escuridão dos tempos.
Esta antiga e lendária raça Portuguesa é, sem dúvida, uma das mais antigas raças por várias razões entre as quais o outrora recôndito solar e a cultura castreja dos Montes de Laboreiro.
Os castros eram centros populacionais continuamente habitados, fortificados por muralhas. Julga-se que os Castros eram locais de refúgio durante as guerras tribais Célticas e pré-célticas.
Castro laboreiro terra isolada durante séculos, conheceu ultimamente alguns beneficios do progresso. Conservam-se ainda as ruínas do seu antiquissimo Castelo, tomado aos Leoneses por D. Afonso Henriques. Teve foral de Sancho I, segundo as Inquirições de 1258, e de D. Manuel em 20.11.1513. Parte da população tem duas moradas; uma em sítio baixo - a inverneira - e outra mais no alto - a branda. Os seus moradores foram objecto de um estudo antropológico de Fonseca Cardoso (Portugália, I,P., 1889). Conservam ainda alguma indumentária típica e primitiva: «capa», «socos» e polainas de burel.
Assim os Cães de Castro Laboreiro mantiveram-se durante muito tempo em relativo estado de pureza, pois sempre satisfizeram plenamente as necessidades daquelas populações dos Montes Laboreiro, sendo por isso um cão bem adaptado, perfeitamente equilibrado e nada exigente.
O Cão de Castro Laboreiro é o produto de uma selecção de milhares de anos, o que lhe garante uma "empatia" com o dono superior a qualquer raça moderna.
Seleccionado como cão de raça e de trabalho ao longo dos séculos, é um cão versátil, cuja docilidade, agilidade e coragem, lhe permitem hoje, ser um cão de eleição pelas suas raras qualidades de carácter e antiguidade genética. No limiar do sec. XXI o Cão de Castro Laboreiro, volta a ser procurado como cão de guarda e companhia.
A sua raridade resulta de um pequeníssimo efectivo de fêmeas reprodutoras.
Hoje o efectivo da Raça do Cão de Castro Laboreiro está em crescimento, havendo uma extraordinária progressão em quantidade e qualidade. Entre nós, a qualidade geral da produção tem aumentado muito, e tudo leva a crer que se venham a estabelecer novas linhas dentro da Raça, contribuindo para o seu progresso e assegurando a sua vitalidade.
No século XXI, O Cão de Castro Laboreiro será sempre por excelência o guardião de gados, mas, para além de ser o Cão que dá maior prazer ao seu dono pela sua companhia, continuará a surpreender pela sua natural aptidão como cão protector.
A recente oficialização da Associação Portuguesa do Cão de Castro Laboreiro, foi sem dúvida, um passo decisivo, no progresso da raça, ao condicionar a admissão de reprodutores aos requisitos mínimos do respectivo padrão, dando origem a um generalizado e criterioso trabalho de selecção, facultando o conhecimento aprofundado das genealogias, permitindo perpetuar e tirar partido das linhas formadas a partir da insistência em determinados reprodutores (emparelhamento em linha).
Aliás para um processo zootécnico eficaz e relativamente rápido há que recorrer à selecção e à consanguinidade, sendo esta de evidente vantagem em aspectos que interessam ao criador, nomeadamente na pureza e uniformidade da raça e na consequente prepotência dos reprodutores obtidos.
O Cão de Castro Laboreiro é um dos tesouros vivos de Portugal que enche de orgulho o menos patriota dos amantes desta Raça singular.
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